Sexta-feira, Novembro 13, 2009

a promoção do mérito ou da mediocridade?

«[...] A Fenprof voltou ontem a exigir a suspensão do modelo de avaliação e a revisão do Estatuto da Carreira Docente [...]

[T]odos os professores deverão concluir a sua avaliação deste ano e conhecer a nota o mais depressa possível, defendeu Mário Nogueira [...] Mas a Fenprof impõe condições: quem teve "Excelente" ou "Muito Bom" não poderá usar a nota para concorrer, e todos os professores, mesmo os que não entregaram objectivos individuais, terão de ser avaliados. [...]

A utilização da nota do ano passado na progressão da carreira também não se deverá colocar, diz Mário Nogueira. [...]»


[Diário de Notícias --- 08 Novembro 2009]

correlações e a reforma da demagogia

«[...] As novas regras de cálculo das pensões, que passaram a estar relacionadas com a esperança de média de vida, vão implicar, em 2020, um corte de 7,1% nas novas pensões dos portugueses que se reformarem aos 65 anos. [...] Este efeito pode ser anulado, desde que os portugueses optem por trabalhar cada vez mais. [...]

Introduzido na reforma de 2007, o factor de sustentabilidade foi aplicado pela primeira vez no ano passado. Este ano, justifica um corte de 1,32% das pensões de quem se reformar aos 65 anos. Em alternativa, os indivíduos podem adiar a reforma por dois a quatro meses [...]

Alemanha, Eslovénia, Finlândia Itália e Suécia são os outros países da União Europeia que também optaram por introduzir o factor de sustentabilidade. É uma forma de contrariar os custos inerentes ao envelhecimento da população. [...]

Já quem tiver 65 anos em 2030 terá de trabalhar pelo menos mais um ano para evitar um corte na pensão [...]»


[Diário de Notícias --- 06 Novembro 2009]


«[...] A introdução do factor de sustentabilidade veio introduzir a esperança média de vida no cálculo das pensões. O resultado prático desta medida, como alertou a oposição de esquerda, será penalizar sobretudo quem agora inicia a vida activa ou começou recentemente a carreira contributiva. São estes trabalhadores que irão sentir no bolso os efeitos desta medida, ou em alternativa terão de trabalhar mais anos do que a geração anterior para ter direito à mesma reforma. [...]»

[Esquerda.Net --- 06-Nov-2009]


a demagogia salta tanto à vista que eu até podia ficar-me por aqui. mas deixem-me continuar mais um pouco:



deixem-me ver se percebo isto: para o bloco, é indiferente se a esperança média de vida são 40, 60 ou 120 anos? é indiferente se a idade média de entrada no mercado de trabalho são os 14, os 20 ou os 25 anos? trabalha-se 40 anos e "já está", quer isso represente 100%, 75% ou 20% da esperança média de vida??

eu diria que a discussão está um pouco baralhada! a correlação necessária entre período activo de descontos e esperança média de vida não é o fim da discussão, mas antes o princípio. só depois de percebermos os gráficos anteriores podemos ter uma discussão séria. e aí sim, percebendo que o período activo de descontos deve igualar uma percentagem da esperança média de vida, começa a discussão: sabendo ao certo como quantificar essa percentagem, entrando em linha de conta com factores de sustentabilidade, de formação ao longo da vida, e de escolaridade média no início da vida activa, entre outros.

querem fazer rewind e começar de novo, sff?

Quinta-feira, Novembro 12, 2009

Nem de propósito

O blogue A Vez do Peão divulga um «convite para um encontro inter-religioso» na mesquita de Lisboa. No convite, lê-se: «(...) convidamo-lo(a) a participar na última oração da noite. Solicitamos às senhoras que se façam acompanhar de um lenço para este fim». Na coluna ao lado, lê-se: «este blogue é feminista». Pois. O que faria se não fosse...

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Entrevista ao VA 195

A minha entrevista ao António Serzedelo no Vidas Alternativas 195 pode ser ouvida aqui (podcast), a partir dos 33 minutos.

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Collision

Saíu o filme do Christopher Hitchens, mas acho que sem distribuidor:

a wind of change?

«[...] Vinte anos após o derrube do Muro de Berlim, que simbolizou o fim do chamado “socialismo real” no leste da Europa, é geral a insatisfação com o capitalismo no mundo, indica uma sondagem publicada esta segunda-feira, divulgada pela BBC. Só 11 % dos inquiridos em 27 países considera que a economia capitalista funciona correctamente e 51 % acha necessária mais regulação e reformas para a corrigir. [...]

A sondagem, realizada entre 19 de Junho e 13 de Outubro junto de 29 033 pessoas, foi publicada no dia do 20.º aniversário da queda do Muro de Berlim, num momento em que o mundo enfrenta a pior crise económica e financeira desde 1929.

"Parece que a queda do Muro de Berlim em 1989 não terá sido uma vitória esmagadora do capitalismo de mercado livre, contrariamente às aparências da época, em particular depois dos acontecimentos dos últimos doze meses", comentou Doug Miller, presidente do instituto de sondagens GlobeScan, que realizou o estudo. [...]»


[Esquerda.Net --- 09-Nov-2009]

eco-fundamentalismo: nem desenvolvimento nem sustentabilidade...

«[...] O Partido Ecologista "Os Verdes" (PEV) anunciou, esta quarta-feira no Parlamento, que vai apresentar muito em breve uma iniciativa legislativa para suspender de imediato o plano nacional de barragens [...]»

[TSF --- 11/11/2009]

Quarta-feira, Novembro 11, 2009

Uma questão de civilização

Há poucos dias, aconteceu algo que foi pouco comentado, e que deveria ser celebrado como um dos raros sinais de que ainda vale a pena ser europeu e acreditar no Estado de Direito: um tribunal italiano, contra as pressões dos governos italianos da direita e da esquerda, condenou a penas de prisão efectivas 22 agentes da CIA e um coronel dos EUA (à revelia), e até dois membros dos serviços «de informações» da própria Itália, por raptarem um islamita em território italiano e o levarem para a tortura no Egipto. Esses agentes da CIA são agora fugitivos que arriscam uma pena de prisão se passarem pela Europa.
Note-se que não se trata de um daqueles casos de «autorização de passagem» de prisioneiros sobre território europeu que tanto têm ocupado o Parlamento Europeu e Ana Gomes. Trata-se de pegar em alguém que está em território europeu e levar esse alguém para ser torturado em território onde a tortura está mais «liberalizada». E, detalhe importante, com a colaboração de cidadãos europeus, actuando, aparentemente, sob as ordens dos respectivos serviços «de informações».
Curiosamente, este tipo de prática tem impedido que alguns terroristas sejam julgados. E transforma, efectivamente, terroristas em vítimas.
E em Portugal? Houve um caso semelhante em Portugal. Na madrugada de 1 de Outubro de 2006, um argelino chamado Sofiane Laib foi «expulso» de Portugal. Tinha cumprido uma pena por falsificação de documentos e teria, aparentemente, pertencido à Al-Qaeda (concretamente, seria um elemento menor da célula de Hamburgo). A pena de expulsão estava suspensa, o que torna o caso, alegadamente, sequestro. Depois de ser levado da prisão, a meio da noite, por «agentes do SEF»,  pode imaginar-se que Sofiane Laib foi levado para tortura à Argélia ou a Marrocos, ou, quem sabe, à Roménia ou à Bulgária. E pode supor-se que foi sempre acompanhado por agentes dos serviços «de informações» portugueses. A ser verdade, os responsáveis deveriam dar com os costados na choça. É uma questão de civilização.

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para acalmar as vozes mais histéricas

«[...] A descriminalização do consumo de drogas não aumentou o consumo e nem fez disparar os números da toxicodependência em Portugal, são as principais conclusões do relatório do Observatório Europeu da Droga e Toxicodependência (OEDT). Segundo o presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), João Goulão, não se confirmam os receios iniciais de que essa abordagem suscitasse um aumento dos níveis de consumo.

Goulão afirma ainda que "aquilo que se constata é que Portugal não se transformou num destino para o narcoturismo nem houve um disparar dos números da toxicodependência na sequência da descriminalização. Estas eram as bandeiras agitadas pela oposição, nomeadamente o CDS, com Paulo Portas a dizer que iria ser o paraíso dos drogados de todo o mundo".

O presidente do IDT destaca que os "bons resultados" são consequência de um conjunto de políticas nas áreas da prevenção, tratamento, redução de danos, reinserção e trabalho de dissuasão, "num quadro genérico de descriminalização que tornou as medidas muito mais harmónicas". [...]»


[Esquerda.Net --- 05-Nov-2009]

ainda sobre o proselitismo



Terça-feira, Novembro 10, 2009

Proselitismo

As Testemunhas de Jeová vão a casa das pessoas, tentar convertê-las.

Muitos consideram que não tem nada de mal acreditarem no que acreditam, o pior é fazerem o que fazem.

Eu acredito que a acção que tomam é coerente com o que acreditam. Estão convencidos que aquilo é verdade, e como tal que aquela atitude é a melhor que podem ter face aos outros. Não espalhar a verdade seria uma forma de egoísmo.
Podemos descartar a atitude como fanática, mas a atitude é simplesmente altruista. Jesus pediu aos seus seguidores para abandonarem tudo e segui-lo, ora espalhar a palavra a estranhos durante os tempos livres exige bem menor fanatismo. Quase que me parece o mínimo que se exige a quem acredite realmente naquilo que diz acreditar.

Por isso, mesmo que veja as acções proselitistas das testemunhas de Jeová como más acções, vejo-as como bem intencionadas e respeito isso. Tento sempre tratá-las com o maior respeito e simpatia que consigo, pois entendo que do ponto de vista deles, estão simplesmente a ajudar. A fazer o bem.

Claro que não é só a intenção que conta. Quem se lançou contra as torres gémeas também acreditava estar a fazer o bem - a dar a sua vida para fazer o bem - e seria bem difícil ter alguma simpatia por essas pessoas.

Mas falar é muito diferente de atentar contra a vida de terceiros, e aí a minha atenção pela intenção é superior. As testemunhas de Jeová estão no seu direito, e estão a fazer algo que acreditam estar correcto, a perder o seu tempo, a abdicar da sua disponibilidade para ajudar pessoas que nem conhecem.


O mesmo sinto em relação a qualquer cristão que esteja a abdicar do seu tempo que me aborde na rua. Sinto respeito, e nenhuma vontade de dicutir com ele.

Não assumo: «bah, ele está a fazer isso para ganhar o céu, em proveito próprio». Parece-me que quando uma pessoa é crente e menos altruista tende a acreditar que é mais importante não roubar, matar e dizer mal de Deus, do que ajudar os outros, para ir para o céu. Quem acredita em ajudar os outros para ir para o céu não o faz por si, e fá-lo-ia sem ser crente.

Claro que em certa medida sinto pena que as testemunhas de jeová percam o seu tempo para enganar os outros. Se sacrifiquem para tornar o mundo um pouco pior. Mas entendo que estão a fazer aquilo que consideram correcto. E se bem que preferisse que nunca tivessem acreditado naquela teia de equívocos, e aproveitassem o tempo que dedicam aos outros de forma mais produtiva, não tenho qualquer sentimento de agressividade para com elas. À priori, repito, tenho simpatia.


Da mesma forma, se souber de um cristão que mantém um blogue religioso, não vou sentir qualquer espécie de revolta ou ansiedade. Claro que esse blogue pode ser uma ferramenta de engano, contribuindo para desinformar as pessoas. Mas parte da minha crença na liberdade da expressão fundamenta-se no idealismo - talvez ingénuo - de que com liberdade de circulação de ideias e informação, pouco a pouco, e apesar de vários enviesamentos cognitivos e outro tipo de factores sociais que atrapalham o processo, as melhores ideias sobrevivem. Pode demorar séculos, ou mais, mas eventualmente, a verdade vem ao de cima.

Continuo a sentir um grande desconforto se deparar com um site negacionista do holocausto, por exemplo, mas isso é porque associo a esse site enganador ideias de ódio e violência que me perturbam. Ora apesar de todo o ódio e violência que as várias instituições religiosas demonstraram enquanto foram poderosas, a verdade é que no ocidente da actualidade não associo esse ódio e violência à esmagadora maioria dos crentes, nem dos sacerdotes.

Por outro lado, se deparar com um site propagandístico que espalhe contra-informação, e souber que o seu autor não acredita naquilo que escreve, também me vou sentir desconfortável (enojado, diria).

Mas um típico site religioso mantido por um cristão português não corresponde a estes problemas. Nem apela directa ou indirectamente à violência (a excepção mais frequente é a homofobia), nem é mantido por quem não acredita no que escreve (diria que podem existir excepções, mas a menos que as identifique, assumo que o autor acredita no que escreve). Por isso não me desperta qualquer incómodo.
Acho a sua leitura um pouco entediante, e por isso não o frequento, mas não sinto senão simpatia pelo autor. É verdade que defronto com esse autor uma batalha pelas ideias. Ele pode querer convencer as pessoas de A, e eu de B. Ele acredita que eu estou a enganá-las; eu acredito que ele está a enganá-las. E suponho que ambos acreditamos que o outro não engana intencionalmente, faz o que faz com a melhor das intenções. Por isso, acredito, é possível manter respeito e simpatia mútuos, apesar de sermos "adversários".

Não?

Vital Moreira sobre a decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem

Do Público de hoje.
  • «(...) Na verdade, o TEDH defende de forma cristalina que a liberdade de religião não envolve somente o direito de ter uma religião e de observar o seu culto, mas também o direito de não ter religião, sem ingerências do Estado. Ora, para além da violação da laicidade – na medida em que não é compatível com a necessária neutralidade e imparcialidade religiosa do Estado –, a exibição de crucifixos nas escolas públicas também impõe às crianças e aos respectivos progenitores uma preferência oficial em matéria religiosa, que eles não têm de compartilhar. (...) Também o direito à educação segundo as convicções de cada um proíbe a preferência oficial por uma dada religião. Numa escola necessariamente plural em termos religiosos, o único modo de respeitar a liberdade individual de convicção e religião, bem como o direito ao ensino de acordo com as convicções religiosas de todos, é a abstenção de apoio oficial a qualquer religião. Se a liberdade religiosa individual implica por definição diferentes opções (incluindo a de não ter nenhuma religião), a escola oficial não pode tomar partido a favor de uma determinada religião, impondo a exibição dos seus símbolos privativos a todos os alunos. (...)» (Vital Moreira, Público)

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O peso da ICAR

Vale imenso a pena ler este artigo do WSJ para se ter uma ideia do peso dos bispos na vida política americana.

Outra vez TVI, 14 horas

Hoje estarei outra vez na TVI, para discutir laicidade e crucifixos com um sacerdote católico. No programa «As Tardes da Júlia», a partir das 14  horas.

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Segunda-feira, Novembro 09, 2009

Crucifixos em Espanha

Em Espanha, uma em cada cinco escolas públicas têm crucifixos, o Governo hesita e as comunidades autónomas (as regiões) têm políticas diferenciadas. E a Esquerda Republicana Catalã, apoiada pela Izquierda Unida, promete levar o assunto ao Congresso.

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Mulher agredida por não usar véu islâmico

Uma marroquina residente em Espanha foi agredida por não usar o véu islâmico. A agressão foi de tal violência que parece ter-lhe provocado um aborto.
Talvez seja por desconhecerem a existência de casos como este que muitos insistem em afirmar que o véu é uma «mera peça de roupa», e que os franceses foram horrorosamente totalitários em proibi-lo na escola pública.

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Onde pára o poder judicial?

O poder político não pode ser absoluto. Tem que ser limitado pelo Direito. Há quem queira esquecer isto com o pretexto da «guerra cósmica contra o terrorismo». O Ricardo Schiappa apontou, acho que vale a pena destacar o seguinte do que diz a Ana Gomes.
  •  «A Itália pode estar apodrecida pela corrupção e ter um Primeiro-ministro indigno de chefiar uma Junta de Freguesia, quanto mais um governo da República italiana.
    Mas o sistema de justiça italiano, apesar das pressões a que tem sido sujeito, vai dando provas de isenção e competência: assim ficou demonstrado no processo
    Mãos Limpas nos anos 90. E e assim fica demonstrado pela condenação de 23 agentes americanos (e dois italianos) por envolvimento no rapto em território italiano e "extraordinary rendition" de Abu Omar para o Egipto.

    Já no nosso país, a PGR decidiu arquivar a investigação que devia esclarecer o papel de Portugal no programa de "extraordinary renditions" - sem ter verdadeiramente investigado e pondo de lado pistas relevantes.
    (...) Em 8 de julho de 2009 apresentei à PGR um requerimento, de 66 páginas, em que detalhei muitas incongruências e falhas graves da investigação da PGR e em que apelei a que, ao menos, se desse continuação à investigação.
    Em Outubro o DCIAP da PGR reagiu, em superficial resposta condensada em quatro páginas: decidindo engavetar a investigação.
    (...) Como pode o DCIAP chegar a esta conclusão ?

    1. Se a própria investigação revelou que o Ministério dos Negócios Estrangeiros reconhece que concedeu, “a título absolutamente excepcional” aos EUA “autorizações genéricas de sobrevoo do espaço aéreo nacional e utilização da Base das Lajes”, autorizações essas que “permitem o transporte de material contencioso e de pessoas”.
    Ora sucede que a PGR nunca questionou o MNE e o MDN sobre o significado da expressão “MATERIAL CONTENCIOSO”, nem sobre a necessidade de concessão de uma autorização “ABSOLUTAMENTE EXCEPCIONAL” para transportar... “PESSOAS”.
    2. Se 8 dos 148 nomes identificados na mesma investigação coincidem com os nomes de agentes da CIA alvo de mandato de captura alemães ou italianos, por envolvimento em rapto e “extraordinary renditions”. (...) 4. Se aterrou duas vezes em Lisboa (além de dezenas de vezes no Porto) o avião com a matrícula N379P, o “Guantánamo Express”, operado pela empresa-fantasma da CIA STEVENS EXPRESS, classificado de “voo de Estado”, e que, por consequência, devia estar munido de autorização diplomática portuguesa. (...) 5. Se o inquérito revelou a existência de pelo menos dois “voos fantasma” sobre os quais não há quaisquer registos junto das autoridades nacionais:
    a. um passa pelas LAJES a caminho de GUANTÁNAMO
    b. o outro, um “voo ambulância”, com destino desconhecido, levou ao avistamento, também nas LAJES de um “indivíduo [que] vestia um fato-de-macaco cor de laranja”, “algemado nas mãos e nos pés” e era considerado “altamente perigoso”.
    Mas a PGR sobre isto nada diz, não quis saber, nem sobretudo investigar mais...
    » (Causa Nossa)

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somos todos parte da revolução



«[...] Nearly everyone reads. Soon, nearly everyone will publish. Before 1455, books were handwritten, and it took a scribe a year to produce a Bible. Today, it takes only a minute to send a tweet or update a blog. Rates of authorship are increasing by historic orders of magnitude. Nearly universal authorship, like universal literacy before it, stands to reshape society by hastening the flow of information and making individuals more influential. [...]

Today, at 0.1 percent authorship, many people are trading privacy for influence. What will it mean when we hit nearly 1 percent next year and nearly 10 percent the year after as the current growth predicts? Governments, businesses, and organizations must adapt to a population that wields increasing individual power. Protestors used Twitter to discredit the election in Iran. When United Airlines refused to reimburse a musician for damaging his guitar, the offended customer posted a song online—“United Breaks Guitars”—and United’s stock dropped 10 percent. [...]

International concern for the minority who can’t read may soon extend to those who can’t publish. [...] As readers, we consume. As authors, we create. Our society is changing from consumers to creators. [...]»


[Denis G. Pelli & Charles Bigelow | SEEDMAGAZINE.COM --- October 20, 2009]

Domingo, Novembro 08, 2009

Uma vitória para os EUA

A aprovação de uma lei prevendo seguros de saúde estatais para pessoas sem cuidados de saúde é uma revolução social-democrática para os EUA, e a maior vitória de Obama até ao momento. Todavia, as cedências de última hora na questão da IVG mostram como se trata de uma maioria frágil. Prova-se que, no momento actual dos EUA, mais facilmente se expande os serviços de saúde do que se combate a influência clerical.

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Os republicanos

Eu vivo no meio destes selvagens:



:o)

os direitos humanos e o nosso quintal

texto completo a ler aqui.

mais vale tarde que nunca...

«[...] Por iniciativa do presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, o Parlamento quis dar o exemplo para outros orgãos do Estado.

Neste início de legislatura foram aprovadas por unanimidade novas regras para as viagens dos deputados funcionários da Assembleia, «proibindo o desdobramento de bilhetes e também a contagem de milhas a favor de si próprios ou de terceiros», explicou Jaime Gama. [...]»


[TSF --- 04 NOV 09]

showbiz de um país pequeno

«[...] "Há muito espectáculo na investigação criminal. Há muita investigação criminal que se faz para os órgãos de comunicação social e era bom que este espectáculo todo que se faz agora se fizesse com as condenações transitadas em julgado ou com as absolvições, não agora", disse António Marinho Pinto à agência Lusa, no final de uma visita ao Hospital-Prisão de Caxias.

"Não percebo esta espectacularização da investigação criminal quando outros casos ainda nem sequer saíram da fase investigatória", acrescentou.

Marinho Pinto referiu ainda que o facto de uns casos nascerem sem que outros se concluam, "com a mesma espectacularidade, desprestigia a justiça". [...]

[E]les que justifiquem por que [o segredo de justiça] é violado. Não venham com a desculpa dos jornalistas. Os jornalistas não violam o segredo de justiça, quando muito noticiam as violações, o resultado das violações" [...]»


[Diário de Notícias --- 04 Novembro 2009]

Sábado, Novembro 07, 2009

Casamento Gay

Escrevi aqui em baixo, na caixa dos comentários, que achava pena que os homossexuais que integram a classe política andassem a fingir que eram heterossexuais, sobretudo os do PP, que são especialmente homofóbicos.

O Ricardo comentou que achava que o Paulo Portas provavelmente era heterossexual. Eu estou-me completamente nas tintas, como o resto do país, para a vida sexual do Paulo Portas. Não me interessa absolutamente nada se ele é ou não homossexual. Mas eu sei que há homossexuais no PP e acho pena que a vergonha deles sirva para reforçar o estigma com que os países menos educados, como Portugal, perseguem as pessoas LGBT (e outras minorias).

Não tem de ser assim. Quando vou à Holanda vejo as pessoas nas tintas para a sexualidade umas das outras. Ser-se homossexual não diz nada sobre o carácter de ninguém e por isso os homossexuais holandeses casam, adoptam crianças e formam famílias estáveis, saudáveis, económicamente produtivas, felizes e funcionais. Iguaizinhas às dos heterossexuais.

Aqui na República de Jesus olho à minha volta e vejo os homossexuais a serem insultados, acossados e perseguidos todos os dias, porque a Bíblia diz que os judeus (e os cristãos, pelo menos os que acreditam que o Antigo Testamento foi inspirado pelo Espírito Santo) os devíam apanhar e matá-los à pedrada.

Acho que Portugal - que tem um passado horrível: fascista, esclavagista, com inquisidores e autos de fé, pena de morte para o crime de apostasia (uma lei da Idade do Bronze!) até ao século XIX, etc. - devia tentar seguir o caminho da Holanda em vez de querer ser como o Texas (mas pobre e triste).

Acho que não devíamos andar aqui a dançar à volta do assunto: a homossexualidade é um pecado do Antigo Testamento que é perseguido por lei. Só isso.

Revista de blogues (7/11/2009)

  1.  «Nada de realmente surpreendente nas palavras chistosas, assistidas por um delicado sorriso de desdém, de José Sócrates ao investir na Assembleia da República contra José Pacheco Pereira invocando o passado rebelde deste: «uma vez revolucionário, revolucionário toda a vida». Posso garantir que conheço de contacto directo pelo menos quinhentas pessoas que um dia foram revolucionárias e que, apesar de hoje estarem maioritariamente «instaladas na vida», não sentem necessidade alguma de renegar esse lado inconformista do seu passado. (...) É por isso uma verdadeira tristeza que o primeiro-ministro português, com o dever de fazer pedagogia democrática ainda que seja historicamente um parvenu da democracia, tenha afirmado o que afirmou e da forma como o fez. Dir-se-á que foi da adrenalina, que se tratou de uma irrelevância, mas são irrelevâncias destas que definem um carácter. Mário Soares, por exemplo, jamais diria tal coisa. Como exclamou uma amiga minha indignada com o episódio, «apetecia responder-lhe: uma vez PSD, para sempre PSD».» (A Terceira Noite)
  2. «(...) Mas a maior de todas a hipocrisias dos bons e fiéis católicos é, sem dúvida, andarem a fazer de conta que a sua religião está completamente afastada – em TODOS os aspectos – da doutrina formulada na Bíblia, designadamente no Antigo Testamento. Basta dar um salto ao «Catecismo da Igreja Católica» para afastar essa gigantesca mentira.
    E bastam algumas citações, respigadas ao acaso:
    «§81 - A Sagrada Escritura é a Palavra de Deus enquanto redigida sob a moção do Espírito Santo».
    «§106 – Deus inspirou os autores humanos dos livros sagrados. Na redacção dos livros sagrados, Deus escolheu homens, dos quais se serviu fazendo-os usar as suas próprias faculdades e capacidades, a fim de que, agindo ele próprio neles e por meio deles, escrevessem, como verdadeiros autores, tudo e só aquilo que ele próprio queria».
    «§121 – O Antigo Testamento é uma parte indispensável das Sagradas Escrituras. Os seus livros são divinamente inspirados e conservam um valor permanente, pois a Antiga Aliança nunca foi revogada».
    «§123 – Os cristãos veneram o Antigo Testamento como a verdadeira Palavra de Deus. A Igreja sempre rechaçou vigorosamente a ideia de rejeitar o Antigo Testamento sob o pretexto de que o Novo Testamento o teria feito caducar.
    (...)» (Diário Ateísta)

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A populaçao a estabilizar

De acordo com a revista Economist, mesmo nos países menos desenvolvidos a fertilidade está a diminuir de forma muito significativa. Neste momento, a taxa de fertilidade mundial é de 2.1, um valor bem mais adequado para um futuro sustentável.

Esta diminuição da fertilidade traz vários benefícios sociais e económicos (alguns dos quais descritos no artigo). No que diz respeito à sustentabilidade ambiental, no entanto, ainda há muito a fazer, e não pode ser exclusivamente pela via demográfica. É necessário lutar para diminuir o impacto ambiental per capita.

Boas notícias, de qualquer forma.

Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Discriminação no casamento

A Federação Portuguesa de Futebol emitiu um comunicado segundo o qual irá criar uma norma que proibirá os adeptos que assistam a um jogo do clube "Sport Lisboa e Benfica" no estádio de celebrar um golo desse clube de forma audível, bem como qualquer cântico de apoio aos jogadores desse clube.

Quando confrontados com a acusação de estarem a criar uma lei que discrimina os benfiquistas, os representantes da Federação responderam:

«Não existe qualquer discriminação. A regra será a mesma para todos os adeptos. Um benfiquista é tão livre de celebrar o golo do Sporting como o sportinguista; e este último está tão impossibilitado de celebrar o golo do Benfica como o benfiquista»


Este exemplo inventado é absurdo. Mas é precisamente isto que fazem aqueles que alegam que não existe discriminação contra homossexuais quando eles são impedidos de casar com alguém do mesmo sexo.
Serão obcecados com o formalismo? Será que para eles a letra da lei é assim tão mais importante que o seu espírito? A resposta é negativa.

Se fossem coerentes na sua defesa do formalismo, abstraindo-se da discriminação que ocorre «na prática», saberiam que a lei actual, em termos formais, discrimina. Não consoante a orientação sexual, mas sim consoante o sexo.

Discrimina formalmente homens e mulheres. Discrimina os homens pois não lhes permite aquilo que permite às mulheres (casar com homens); e discrimina as mulheres pois não lhes permite aquilo que permite aos homens (casar com mulheres). A lei, em termos formais, viola o princípio da igualdade de homens e mulheres perante a lei.

Claro que tudo isto é um absurdo. A verdadeira discriminação é contra os homossexuais. E é a vontade, consciente ou inconsciente, de os discriminar que motiva a alegação absurda e incoerente de que a lei actual não discrimina.

Crucifixos na escola pública

Fernanda Câncio no DN:
  • «Os crucifixos estão nas escolas para doutrinar - fazer proselitismo. E é mesmo por esse motivo que os defensores dessa situação lá os querem: porque não confiam no poder de atracção da sua crença e querem impô-la aos outros. É compreensível, dir-se-ia mesmo expectável. E muito simbólico, sim: do medo da liberdade. Como será simbólico que um Estado laico, e sobretudo um Governo socialista, se mantenha cúmplice desse medo.» (Diário de Notícias)

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A miséria da arte

O 'Artista' que matou um cão à fome vai repetir o acto - Ou NÃO! Depende de nós. Vê como.

Como muitos devem saber e até ter protestado, em 2007,Guillermo Vargas Habacuc, um suposto artista, colheu um cão abandonado de rua, atou-o a uma corda curtíssima na parede de uma galeria de arte e ali o deixou, a morrer lentamente de fome e sede. Durante vários dias, tanto o autor de semelhante crueldade, como os visitantes da galeria de arte presenciaram impassíveis à agonia do pobre animal. Até que finalmente morreu de inanição, seguramente depois de ter passado por um doloroso, absurdo e incompreensível calvário.
Parece-te forte? Pois isso não é tudo: a prestigiosa Bienal Centroamericana de Arte decidiu, incompreensivelmente, que a selvajaria que acabava de ser cometida por tal sujeito era arte, e deste modo tão incompreensível Guillermo Vargas Habacuc foi convidado a repetir a sua cruel acção na dita Bienal em 2009. Facto que podemos tentar impedir, colaborando com a assinatura nesta petição: http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html
(não tem que se pagar, nem registar).
Para enviar a petição, de modo que este homem não seja felicitado nem chamado de 'artista' por tão cruel acto, por semelhante insensibilidade e desfrute com a dor alheia. 
Se puseres o nome do 'artista' no Google, saem as fotos deste pobre animal e seguramente também aparecerão páginas web onde poderás confirmar a veracidade da informação.

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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Referendos e ditadura da maioria

Há muita coisa que, referendada, não teria maioria: o direito das testemunhas de Jeová de baterem à porta das pessoas, o adultério não ter consequências de maior, o toque dos sinos depois das 22h, o direito a uma consulta de planeamento familiar aos 14 anos, o transplante de órgãos de um falecido, a violência doméstica ser crime público, ou o direito de passear cãos na rua sem pratinho e vassoura atrás.
Felizmente (ou não...), ainda ninguém se lembrou de referendar estas candentes questões. E ainda bem que assim é, porque Portugal não é apenas uma democracia, é também uma república em que os direitos estão acima das maiorias. O contrário seria uma ditadura da maioria. O que não seria bom. Para uns ou para outros, conforme as circunstâncias.

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